Saturday, March 28, 2026

Maria de Fátima Bravo - O Tarzan do 5° Esq. (1958)

 



Editora: Decca

Formato: Vinil, 7", single

País: Portugal

Género: Banda-sonora


A1 - Deixa lá falar

A2- Foste ao futebol sem mim

B1- Uma fita de cow-boys

B2- A mulher que passa


Banda-sonora do filme de 1958 realizado por Augusto Fraga e que se aproxima subtilmente do género de comédia romântico, algo inédito em Portugal na altura. Protagonizado por Raul Solnado e Carmen Mendes, o filme preconiza e ilustra as dificuldades e batalhas de um jovem casal no início de uma vida em conjunto. As quatro canções deste single contam com a assinatura de José Galhardo nas letras e João Nobre na composição. "Deixa lá falar" é um tema de toada tradicional, algo lounge mas com um cunho muito português especialmente devido à voz clássica de Maria de Fátima. A letra é bastante poética na sua singeleza. "Foste ao futebol sem mim" tem uma toada mais acelerada e uma letra bastante inteligente mas cómica. Tendência que se segue em "Uma fita de cow-boys" com piscar de olho ao cinema western realizado noutro continente. " A mulher que passa" desacelera e traça um trilho sonoro para um imagético poético, romântico e misterioso. 




Trabalhadores do Comércio - Lima 5 / Que me dizes ao cuncurso? (1980)

 



Editora: RPE Editores

Formato: Vinil, 7", single

País: Portugal

Género: Rock, Pop Rock


A- Lima 5

B- Que me dizes ao cuncurso?


Os Trabalhadores do Comércio formaram-se em 1980 com Sérgio Castro, Álvaro Azevedo e João Luís, na altura apenas com cerca de 7 anos de idade. Autores da icónica "Chamem a Polícia", este é o segundo single editado pela banda. O lado A é uma canção que já tipifica o som característico e peculiar da banda e dedicada ao Lima 5, uma pastelaria no Porto com um historial imenso. Lado B conta com os vocais únicos de João Luís que sempre conferiu à banda um tom divertido e jocoso, tanto pelo teor satírico das letras, como pela musicalidade tão gingona quanto rockeira. 


Concha - Bombom (1980)

 



Editora: EMI

Formato: Vinil, 7", single

País: Portugal

Género: Pop


A- Bombom

B- Dr. Frankenstein


Concha de nome Maria da Conceição Santos nasceu em Lisboa em 1957 e em 1979 participou no festival da canção com o tema "Qualquer dia, quem diria" com o cunho de uma dupla saída da Banda do Casaco (António Pinho e Nuno Rodrigues) e mais tarde viriam a editar "Bombom", o terceiro e derradeiro single de originais de Concha e com arranjos de Shegundo Galarza. O lado A com a sua componente dançável e divertida, alinha-se num New Wave despretensioso e foi um sucesso nas rádios, mas não tanto nas vendas. O lado B é mais contido e quase melancólico. Concha nunca chegou a gravar um LP e em 1984 surge no último álbum da Banda do Casaco, "Banda do Casaco com Ti Chitas" e também um pouco mais tarde em 1987 tem a sua participação no LP "So down train" da Go Graal Blues Band. 





Lena D'Água & Atlântida - Demagogia (1982)

 



Editora: Valentim de Carvalho
Formato: Vinil, 7", single
País: Portugal
Género: Pop Rock

A - Demagogia
B- No fundo dos teus olhos d'Água


Single gravado nos antigos estúdios da Valentim de Carvalho em Paço d'Arcos durante Maio e Julho de 1982 e consta de mais uma colaboração entre Lena D'Àgua e a banda Atlântida. O single é retirado do LP "Perto de Ti". O lado A é um pop rock festivo com uma letra engenhosa e de teor crítico à classe política e o refrão "Demagogia / Feita à maneira/ É como queijo / numa ratoeira" é orelhudo e serve o mote inteligente da canção. De destaque o baixo saltitante e as inclusões certeiras de instrumentos de sopro. Uma música que permanece um dos hinos da década de 80. O lado B continua na toada orelhuda com a voz inconfundível de Lena D'Água. De ressalvar as guitarras desgarradas e os instrumentos que acompanham as pausas e a toada das vocalizações. Um single com duas canções brilhantes do LP "Perto de ti". Um registo imprescindível  para apreciar o melhor que a música portuguesa ofereceu durante a década de 80. 






Friday, March 27, 2026

Adelaide Ferreira - Baby suicida (1981)

 



Editora: VDC

Formato: Vinil, 7", single

País: Portugal

Género: pop rock


A - Baby suicida 

B - A tua noite


Este single de Adelaide Ferreira tipifica na perfeição o som dos anos 80. Uma sonoridade gingona e exuberante típica da década, em que tudo o que se vestia, cantava e fazia estava perto de uma fashion statement, tudo era permitido e passível de ser explorado ou reeinventado e talvez, seja esse um dos muitos charmes da década de 80, as possibilidades infindáveis de criação. 

O lado A, Baby Suicida, foi um relativo sucesso nas ondas sonoras da década, e o seu carácter dançável e "alegre" contrasta de certa forma com as líricas da canção, que retratam uma personagem-tipo de hábitos destrutivos e cuja postura na vida é a de um kamikaze emocional. E é no espírito tão exagerado quanto cativante dos anos 80 que desfrutamos na íntegra das líricas de Baby Suicida. Uma canção que mais soa a um hino. 

O lado B, A tua noite, assume um lado mais negro e quiçá mesmo exótico, sendo reminiscente do universo vampiresco tão popular na altura. Enquanto Baby Suicida assume uma atitude quasi-punk, A tua noite prima pela teatralidade e o dramatismo.

Um bom registo e cápsula de viagem no tempo para uma década em que gostava de se experimentar sem medos nem dogmas. Editado pela Vadeca que também tem no seu catálogo bandas como Street Kids que são sempre interessantes de revisitar. 








Thursday, March 26, 2026

Homini Orchestra - Serenata clássica (1982)

 

Editora: Studium
Formato: Vinil, 7", single
País: Portugal
Género: Electrónica, pop, disco, experimental

A- Serenata Clássica 
B- Calor sonoro

Projecto de electrónica muito assente em sintetizadores do músico Américo Monteiro, mais conhecido por Emanuel e por ter cunhado o termo "pimba" no léxico do mundo musical português. O lado A - Serenata Clássica - consiste numa reinterpretação de uma composição de Franz Schubert e é um exemplo de um synth-pop melancólico e atonal em certos momentos, o que lhe granjeia um certo charme. Talvez esta reinterpretação siga um pouco a "onda" iniciada por Tomita e outros músicas que reinventaram temas da música clássica com o uso de sintetizadores, garantindo alguma popularidade e ajudando à ascensão da música electrónica. Ao contrário de Tomita, que se ficou maioritariamente por temas instrumentais, Américo Monteiro oferece a sua voz tão icónica nesta serenata para sublinhar o título da composição, cantando: "Serenata Clássica" algumas vezes. O lado B é uma composição de electro-synth-pop que prima pelo uso de sintetizadores, prefixando o som que associamos a "casio", e parece transportar-nos para um videojogo de PC dos anos 80 que nunca chegámos a jogar mas que seria engraçado de imaginar. Pelo que se sabe, este foi o primeiro registo do músico que mais tarde, associaremos ao imagético musical popular e mais concretamente ao "pimba". A editora - Studium - não apresenta mais qualquer lançamento e julga-se que pode ser uma editora criada pelo músico. 

PS: O facto do nome do compositor estar mal escrito no verso do disco acrescenta ao charme peculiar deste artefacto musical 




Filipa Van Uden - Fermozinha (1970)







Editora: Decca
Formato: Vinil , 7", EP
País: Portugal
Género: Folk

A1 Fermozinha
A2 A place to hideaway
B1 Pela margem do rio tranquilo 
B2 O anel que me deste 


Filipa de Bragança Van Uden cantou estes quatro temas lançados em 1970 e com o arranjo e direcção do Quarteto 1111 e especial colaboração de José Cid que escreveu e fez os arranjos de dois dos temas. O primeiro tema "Fermozinha" composto e com arranjos de Berenaldo de Bonaval e Ricardo Levi, é um tema que une o tradicional popular aos ritmos e sonoridade que já se fazia sentir no início dos anos 70, um folk despojado com um uso contido de teclados. Apesar da duração de 2min10segundos é um tema extremamente soalheiro que dá o ponto de partida necessário para o EP. A toada soalheira, quase de sunshine pop continua no segundo tema "A place to hideaway" com composição de José Cid e a incursão de Filipa Van Uden na língua inglesa. O lado B do EP retorna um pouco ao modo tradicional e popular com uma infusão de modernidade e acaba em grande com a cover do tema popular "O anel que me deste" com uma toada ritmada e orelhuda, especialmente pelo uso do acordeão. Um EP que hoje em dia é considerado uma semi-raridade e permanece o único disco gravado pela artista. 


No verso do EP: 

"Ou apenas Filipa, se quiserem, e como certamente, se irá popularizar em breve aquela que vai ser a maior revelação artística do ano. 
Filipa de Bragança Van Uden - que fazem juntos um nome tão português e um apelido holandês? Filha de pai holandês e, pelo lado materno descendente directa da mais ilustre família portuguesa, Filipa é a perfeita concretização da aristocracia que soube adaptar-se à vida do seu tempo. 
Cantar é para ela a mais natural das expressões e acompanha-se à viola, instrumento que aprendeu a tocar na Áustria, vindo a especializar-se em viola clássica no Conservatório de Lisboa. 
Para o seu primeiro disco, Filipa Van Uden recorreu a José Cid que para ela compôs especialmente dois trechos, encarregando-se ainda de dirigir o Quarteto 1111 que a acompanha com magnífico sentido rítmico e melódico"




Maria de Fátima Bravo - O Tarzan do 5° Esq. (1958)

  Editora: Decca Formato: Vinil, 7", single País: Portugal Género: Banda-sonora A1 - Deixa lá falar A2- Foste ao futebol sem mim B1- Um...